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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Parábola do Jardineiro que queria ser como "o doutor"!

Conhecemos um senhor há quase 30 anos, que já viveu de tudo que você pode imaginar nesta vida. Se você parar para ouvir as histórias que este homem tem a contar, você vai se sentir em um filme que nunca acaba, e que passa por todos os gêneros conhecidos do cinema. Já fez de tudo na vida. Na maior parte dos seus 74 anos, viveu como um excepcional jardineiro, trabalhando dia após dia, em uma casa aqui outra ali, em um sítio cá outro lá, e cuidando com capricho e carinho do mundo das plantas que Deus criou.

Mas este homem de estrutura franzina e baixa estatura, sempre teve um sonho na vida. Sempre quis ter o padrão de vida "do doutor...", como Severino costuma chamar, os proprietários dos jardins em que ele coloca suas mãos talentosas e gastas, afofando a terra, aguando as plantas, seja plantando, seja arrancando o que plantou.

Quando era menino, por volta dos seus 8 anos de idade, se aventurou pelo sertão nordestino, onde havia nascido, em cidade praticamente desconhecida, e ganhou o mundo com os pés (literalmente!) na estrada, de fazenda em fazenda, procurando o que fazer a troco de um troco.

Não durou muito, o sertão nordestino ficou muito pequeno para o sonho daquele menino, e logo "amontou" num pau-de-arara que seguia para a Capital (São Paulo), e nunca mais olhou pra trás.

Chegando em São Paulo, há mais de sessenta anos, foi logo passando fome no primeiro dia. E que fome "da peste!". Até que, pela "salvação da lavoura", achou de se "entupir" de tanto comer banana, em pencas, que estavam à disposição próximo à estação da Luz, no centro da cidade. Não acostumado aos "entraves" da vida civilizada da cidade grande, foi caminhando pela rua comendo suas bananas, e jogando despretensiosamente as cascas ao meio do calçamento. Surpreso, foi repreendido por um "guarda de trânsito", por já estar quase que causando "um transtorno" no tráfego de automóveis da capital paulista daquela época. Moral da história, foi obrigado a recolher a sujeira, e imagine você, qual trabalho não teve o pobre menino franzino e agora de barriga cheia, depois de engolir sem parar mais ou menos umas 50 bananas.

Depois de um número quase infinito de histórias que mais parecem contos, peripécias que muitas vezes lembram Indiana Jones em um de seus filmes de aventuras impossíveis, e muitos acidentes que "só mesmo Deus!" para guardar a vida do Severino, chega o nosso jardineiro sonhador aos seus 74 anos de idade, se deparando com uma enfermidade daquelas que os homens consideram incurável. Câncer. Em estado muito adiantado de destruição.

Por cerca de 6 meses, a vida do pequeno grande homem mudou completamente. Impossibilitado de trabalhar, Severino se viu em angústia, ainda que reprimido em seu interior de homem desgastadamente vivido. O que fazer da vida agora? E o sonho de viver "que nem o doutor..."!? Ah, tantos anos de vida, tanto trabalho, tanto esforço, tanto sofrimento, pra ver se um dia "Deus me abençoa e eu realizo meu sonho de viver que nem doutor...". Agora, o sonho lhe parece uma coisa estranha, algo tão distante da realidade enfrentada, que nem sabe mais o que pensar da vida. Que tamanho de revolução no mundo deste pobre nordestino. O que será de Severino?!

Severino começa a rever seu pensamento, começa a rever seus 74 anos de vida, e resolve prestar melhor atenção nas "mazelas" da vida que viveu e que está vivendo...e assim, mansamente, Deus começa a lhe falar ao coração.

São mais de 30 dias em um hospital, uma grave cirurgia, internado e praticamente sozinho, longe da família. Confessa que por vez ou outra, até mesmo deu vontade de desistir deste "resto" de vida que tinha, e acabar com tudo de uma vez por todas. Mas o Espírito de Deus, em sua compaixão e amor que só quem O conhece entende, estava fazendo aquela pobre alma oprimida pela vida, pelas "verdades" frustrantes deste mundo corrompido, ver agora o que realmente importa para o homem.

Passado este tempo, hoje temos um novo homem, ainda mais franzino e velho, mas, por dentro, "nascido de novo"! E o sonho de "viver que nem doutor", é claro, ficou no passado, enterrado com o velho Severino "sonhador", menino nordestino cheio de "querer ser" e " querer ter", como tantas almas errantes que povoam a terra.

Hoje, Severino sabe o que vai ser do seu futuro. Nem mesmo conseguiu uma miserável aposentadoria do governo, depois de trabalhar mais do que muito "garotão" aposentado, mas sabe qual será o seu "fim"! Sabe que viver aquela tão sonhada vida de doutor, é pouco, muito pouco, perto do que está preparado para aqueles que temem a Deus. E o câncer, que para muitos é "o fim", não faz a menor diferença para este sábio homem de hoje, que tem plena consciência de tudo o que o espera, daqui a pouco, bem pouco tempo.

Bom momento para lembrar o que disse o Senhor...e quem sabe rever alguns pensamentos e planos, quem sabe reconsiderar a vereda da vida. Você já pensou sobre como viver "este resto" de vida que temos?! Não me importa se você crê em Deus ou não crê...o que eu pergunto é (ainda mais crendo em Deus): Você já pesou os próximos anos, e os que passaram, na balança da sabedoria de Deus, para ver se ela se equilibra?

E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui. (Lucas 12:15)

“Então, de agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar pelas paixões humanas. No passado vocês já gastaram bastante tempo fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na imoralidade, nos desejos carnais, nas bebedeiras, nas orgias, na embriaguez e na nojenta adoração de ídolos.” (1 Pedro 4:2-3)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Soberba da Vida...

A cada geração que passa, a necessidade de "ser alguém na vida" torna-se uma força propulsora do cotidiano das sociedades, uma força motriz mais e mais opressora na sociedade moderna. Se à época da minha infância, já havia uma tendência doutrinária sobre "ser alguém" ou então tudo estaria perdido, hoje isto se tornou o verdadeiro motivo de viver da maioria. Pais vivem uma vida absolutamente frenética, fazendo com que seus infantes, muitas vezes com nem mesmo 1 ano de vida completo, já estejam aprendendo inglês, francês, alemão, informática, robótica, economia globalizada, sociologia filosófica, sustentabilidade ambiental, e outras tantas "invenções" humanas, que se avaliadas a fundo, não colaboram em praticamente nada, para o real "valor agregado", digamos, do indivíduo.


Quando nasce uma criança, a primeira preocupação que surge no íntimo dos pais é: será que meu filho ou minha filha será "alguém" bem sucedido na vida?! E para garantir este "sucesso", empenhar todos os esforços é ainda pouco. Pais "se matam de trabalhar", se estressam até o limite, e tudo isso, para proporcionar "o bem estar", o futuro, o sucesso dos seus rebentos. E além disto, há sempre uma ressalva: "Aquilo que eu não consegui conquistar, com certeza, não tenho dúvida, vou fazer de tudo para que meu filho/minha filha conquiste!"

Este tipo de atitude parece, a princípio, louvável, realmente digna de nosso elogio. Mas, se olharmos com profundidade, será que este caminho, é um caminho de sabedoria?

Há muito que o homem, incesantamente, deixou de ter como referência aquilo que deveria ser sua única referência. Pois a menos que você creia, que nós, seres humanos, somos uma simples (ou complexa, pouco importa) evolução genética de outra(s) espécie(s) - o que, me perdoe, é impossível crer, que alguém com mente sã creia nisso -, nós deveríamos ter como referência para o "ser humano", a personalidade do "criador de seres humanos", ou seja, a pessoa de Deus! Mas, por causa das aflições desta "vida de sucesso" que todos têm que alcançar, perdemos a referência do que devemos ser, e do que realmente importa.

Quero provar a você, que ainda que você seja alguém que crê em Deus, provavelmente você tem agido como se não tivesse mais a pessoa de Deus como referência, mas ao contrário disto, tem agido como agiram as gerações e gerações passadas, dando impôrtancia ao "ser alguém", ter sucesso, ser reconhecido!

E não vou me alongar para isso. Aliás, creio que este será um dos menores textos que já escrevi até hoje. E para simplificar, vou me colocar como exemplo ilustrativo desta conversa.

Nasci, cresci, e passei praticamente 20 (longos) anos de vida somente "me preparando" para ser alguém! Meus pais me colocaram em bons colégios, fiz uma boa faculdade, fiz boa pós-graduação, fiz boa carreira, especializai-me no que fiz, e enfim, posso dizer que, até o momento em que estava "seguindo o curso natural" do plano "ser alguém na vida", estava indo muito bem! Crendo que este era o caminho, este era o plano "certo" para mim, não poupei esforços para alcançar o objetivo. Se alguém não se lembra: ser alguém, ter sucesso, ser reconhecido!

Mas, há alguns anos atrás, creio que, como diz-se popularmente, "a ficha caiu".

Pensei: Se Deus, a pessoa de Deus, é minha referência sobre "ser alguém" nesta vida, então eu tenho que, na verdade, investigar, com todo cuidado e atenção, "que espécie de alguém" Deus foi na sua vida, na vida como a que eu vivo hoje na minha carne. Isso me levou é claro, a investigar a vida de Jesus. Se Ele é minha referência de vida, então eu preciso "checar" se, o "ser alguém" que todo ser humano busca, valeu também para o homem Jesus. E este foi o meu achado.

"...Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte—morte de cruz. Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai." (Filipenses 2:3-11)

E então(?)...por acaso você anda querendo ser alguém nesta vida? Por acaso você anda se esforçando para se sobersair, para ser reconhecido, para "ser alguém" como nos ensinaram no passado? Esqueça isso, livre-se desta idéia. Não se deixe cair na tentação de satanas, no seu laço de vaidade e de aflição de espírito, que não sendo nada, quis ser maior do que o próprio Deus. Você bem sabe qual foi o seu fim.

Para os que não querem ser alguém neste presente tempo, nem têm a preocupação em serem reconhecidos, ou em alcançarem alguma coisa perecível como a glória humana, Deus preparou este sábio segredo, que no passado, Paulo (o servo e preso do Senhor) compartilhou conosco.

"...mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo" (Filipenses 3:8)

Interessante...quando éramos alguma coisa neste mundo, as pessoas realmente nos consideravam, nos elogiavam, nos reconheciam por aquilo que éramos. Afinal, éramos "alguém" nesta vida. Hoje, quando não somos nada, e nem nada temos, estas coisas desapareceram. Graças a Deus. Porque as considero como lixo, como coisas que atrapalham, como coisas que têm mau cheiro, que corrompem a nossa alma...

Bem disse João...se a "soberba da vida" está no coração do homem, certamente o amor de Deus não está nele, mas sim, o amor do mundo, a sedução do mundo, o amor vaidoso de satanas..."

Bom é não sermos nada, para que sejamos como Ele, que é tudo.