Conhecemos um senhor há quase 30 anos, que já viveu de tudo que você pode imaginar nesta vida. Se você parar para ouvir as histórias que este homem tem a contar, você vai se sentir em um filme que nunca acaba, e que passa por todos os gêneros conhecidos do cinema. Já fez de tudo na vida. Na maior parte dos seus 74 anos, viveu como um excepcional jardineiro, trabalhando dia após dia, em uma casa aqui outra ali, em um sítio cá outro lá, e cuidando com capricho e carinho do mundo das plantas que Deus criou.
Mas este homem de estrutura franzina e baixa estatura, sempre teve um sonho na vida. Sempre quis ter o padrão de vida "do doutor...", como Severino costuma chamar, os proprietários dos jardins em que ele coloca suas mãos talentosas e gastas, afofando a terra, aguando as plantas, seja plantando, seja arrancando o que plantou.
Quando era menino, por volta dos seus 8 anos de idade, se aventurou pelo sertão nordestino, onde havia nascido, em cidade praticamente desconhecida, e ganhou o mundo com os pés (literalmente!) na estrada, de fazenda em fazenda, procurando o que fazer a troco de um troco.
Não durou muito, o sertão nordestino ficou muito pequeno para o sonho daquele menino, e logo "amontou" num pau-de-arara que seguia para a Capital (São Paulo), e nunca mais olhou pra trás.
Chegando em São Paulo, há mais de sessenta anos, foi logo passando fome no primeiro dia. E que fome "da peste!". Até que, pela "salvação da lavoura", achou de se "entupir" de tanto comer banana, em pencas, que estavam à disposição próximo à estação da Luz, no centro da cidade. Não acostumado aos "entraves" da vida civilizada da cidade grande, foi caminhando pela rua comendo suas bananas, e jogando despretensiosamente as cascas ao meio do calçamento. Surpreso, foi repreendido por um "guarda de trânsito", por já estar quase que causando "um transtorno" no tráfego de automóveis da capital paulista daquela época. Moral da história, foi obrigado a recolher a sujeira, e imagine você, qual trabalho não teve o pobre menino franzino e agora de barriga cheia, depois de engolir sem parar mais ou menos umas 50 bananas.
Depois de um número quase infinito de histórias que mais parecem contos, peripécias que muitas vezes lembram Indiana Jones em um de seus filmes de aventuras impossíveis, e muitos acidentes que "só mesmo Deus!" para guardar a vida do Severino, chega o nosso jardineiro sonhador aos seus 74 anos de idade, se deparando com uma enfermidade daquelas que os homens consideram incurável. Câncer. Em estado muito adiantado de destruição.
Por cerca de 6 meses, a vida do pequeno grande homem mudou completamente. Impossibilitado de trabalhar, Severino se viu em angústia, ainda que reprimido em seu interior de homem desgastadamente vivido. O que fazer da vida agora? E o sonho de viver "que nem o doutor..."!? Ah, tantos anos de vida, tanto trabalho, tanto esforço, tanto sofrimento, pra ver se um dia "Deus me abençoa e eu realizo meu sonho de viver que nem doutor...". Agora, o sonho lhe parece uma coisa estranha, algo tão distante da realidade enfrentada, que nem sabe mais o que pensar da vida. Que tamanho de revolução no mundo deste pobre nordestino. O que será de Severino?!
Severino começa a rever seu pensamento, começa a rever seus 74 anos de vida, e resolve prestar melhor atenção nas "mazelas" da vida que viveu e que está vivendo...e assim, mansamente, Deus começa a lhe falar ao coração.
São mais de 30 dias em um hospital, uma grave cirurgia, internado e praticamente sozinho, longe da família. Confessa que por vez ou outra, até mesmo deu vontade de desistir deste "resto" de vida que tinha, e acabar com tudo de uma vez por todas. Mas o Espírito de Deus, em sua compaixão e amor que só quem O conhece entende, estava fazendo aquela pobre alma oprimida pela vida, pelas "verdades" frustrantes deste mundo corrompido, ver agora o que realmente importa para o homem.
Passado este tempo, hoje temos um novo homem, ainda mais franzino e velho, mas, por dentro, "nascido de novo"! E o sonho de "viver que nem doutor", é claro, ficou no passado, enterrado com o velho Severino "sonhador", menino nordestino cheio de "querer ser" e " querer ter", como tantas almas errantes que povoam a terra.
Hoje, Severino sabe o que vai ser do seu futuro. Nem mesmo conseguiu uma miserável aposentadoria do governo, depois de trabalhar mais do que muito "garotão" aposentado, mas sabe qual será o seu "fim"! Sabe que viver aquela tão sonhada vida de doutor, é pouco, muito pouco, perto do que está preparado para aqueles que temem a Deus. E o câncer, que para muitos é "o fim", não faz a menor diferença para este sábio homem de hoje, que tem plena consciência de tudo o que o espera, daqui a pouco, bem pouco tempo.
Bom momento para lembrar o que disse o Senhor...e quem sabe rever alguns pensamentos e planos, quem sabe reconsiderar a vereda da vida. Você já pensou sobre como viver "este resto" de vida que temos?! Não me importa se você crê em Deus ou não crê...o que eu pergunto é (ainda mais crendo em Deus): Você já pesou os próximos anos, e os que passaram, na balança da sabedoria de Deus, para ver se ela se equilibra?
E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui. (Lucas 12:15)
“Então, de agora em diante, vivam o resto da sua vida aqui na terra de acordo com a vontade de Deus e não se deixem dominar pelas paixões humanas. No passado vocês já gastaram bastante tempo fazendo o que os pagãos gostam de fazer. Naquele tempo vocês viviam na imoralidade, nos desejos carnais, nas bebedeiras, nas orgias, na embriaguez e na nojenta adoração de ídolos.” (1 Pedro 4:2-3)
