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segunda-feira, 15 de junho de 2009

O que os olhos não vêem...

Você certamente conhece o dito popular que diz assim: "O que os olhos não vêem, o coração não sente". Ainda que estas não sejam palavras ditas pela boca de Deus, ou de algum dos seus servos ou profetas, creio eu, que de fato não se pode negar, têm elas em si uma grande dose de verdade e de realidade, e que de certo modo, espelham uma faceta do caráter humano.

Quando você ouve falar a respeito de alguém que está passando por necessidades, seu coração pode até mesmo por um momento, responder com um estímulo de compaixão. Mas, como você não pode VER, enxergar o sofrimento e a dor com seus próprios olhos, a sua atitude nunca passará disso. E este estímulo, este impulso de compaixão, dura não mais do que poucos segundos, que logo se esvai. Nenhuma raiz se forma, nada brota, a não ser um "suspiro" de compaixão, mas nenhum fruto de amor, de compaixão verdadeira, amadurece.

Se nossos olhos, no entanto, podem ver o sofrimento alheio, a compaixão tem, eu diria, uma chance maior de brotar e dar o seu fruto. Entretanto, nem sempre será assim, pois nem todo coração humano é terra fértil para produzir o fruto da compaixão. O fruto da compaixão só nasce em um coração fértil, que tenha sido propriamente "adubado e arado" pelo Espírito de Deus.

Muitos não entendem, porque o Senhor Deus nos permite o sofrimento, as dores, e por vezes até, passar por necessidades. Isso tudo realmente acontece na vida de um filho de Deus, um ser "nascido de novo", verdadeiramente nascidos do Espírito. Aliás, muitos ingenuamente pensam, que justamente por serem filhos, estarão sempre LIVRES de todo e qualquer sofrimento, dor ou necessidade. Mas Deus, como pai que sabe o que faz, nos faz passar por sofrimentos, necessidades e dores. Pois Ele sabe que, para que brote uma raiz e se dê fruto de compaixão em nosso coração, não bastaria que os olhos vissem, e que o coração sentisse...é necessário, sim, que "o nosso próprio ser", em tudo, seja MARCADO pelo sofrimento, pela dor, e pela necessidade. Como já disse no princípio, o dito popular em parte tem sua verdade, mas de modo algum mostra em si mesmo, a perfeita sabedoria do Espírito de Deus. É verdadeiro em parte, mas não traduz a sabedoria que vem do alto.

Ninguém pode oferecer compaixão, se não tiver antes sofrido e padecido em sua "própria pele", em sua própria vida. Jesus, diz a palavra Dele, padeceu, aprendeu a obediência, submeteu-se ao sofrimento e às dores. E porque padeceu, se compadeceu dos que necessitam de compaixão.

Hoje, quando olho para pessoas que se declaram cristãs, não posso entender como é possível tamanha escassez de frutos de compaixão. Ou talvez seria ainda melhor dizer, que no fundo entendo sim. Entendo, que há um espírito diabólico cegando-as, tirando-lhes o entendimento.

Se existe um outro ditado que hoje poderia ser bem aplicado nos círculos evangélicos, seria este: "Cada um por si, e Deus por todos!". Mas, me permitam, eu preciso perguntar: Cada um por si??? Como assim??? Será que não percebemos como este espírito, enviado por satanaz, tem cegado nosso mais simples dever de discernir as coisas?!

Se eu não olho para o sofrimento e a necessidade do próximo, eu não posso nem mesmo por um segundo sequer, sentir compaixão. Assim diz o ditado. E quando não sinto compaixão em meu coração, eu nem mesmo posso tomar uma atitude, porque nenhuma raiz brota em meu coração. Mas, se eu NÃO SOFRO como outros estão sofrendo, então o que terá o poder de me trazer entendimento, para que eu ME ENTREGUE em favor destes que sofrem? Assim diz o Espírito de Deus.

Sem se dar conta disto, a "igreja" tem vivido exclusivamente para si mesma, cada um em seu próprio egoísmo, uma vida fundada no egocentrismo, bem ao estilo "satanaz e seu enorme ego", satisfazendo os desejos carnais, e fechando olhos, coração, e as mãos, para os que estão sofrendo. Por acaso tenho diante dos meus olhos uma "igreja" próspera, rica, bem sucedida, ou um bando de pessoas que não sabem discernir entre o bem e o mal, entre benção e maldição?!

Quem poderia, sem peso algum sobre sua consciência, dizer "eu recebo a benção de Deus", e dou graças a Deus por isso, se meus semelhantes estão passando sofrimento e necessidades?! Será que você não compreende, que se você recebe, do Senhor, é para que possa repartir e aliviar o sofrimento alheio? Pois se você recebe, e não percebe que deve RENUNCIAR a tudo quanto tem, e entregar-se, em favor de outros, então você não tem recebido das mãos do Senhor, mas sim, das maliciosas e traiçoeiras mãos de satanaz, o egoísta, o egocêntrico, o amante de si mesmo, como um astuto e hábil sedutor, que quer lhe envolver em seus asquerosos braços. Não disse o Senhor que, se assim você age, não será jamais Seu discípulo, mas filho de um diabo?!

É claro que renunciar àquilo que você recebe, e abrir mão daquilo que lhe pertence, em favor do alívio do sofrimento e satisfação das necessidades de outros, vai lhe custar. Sempre vai lhe custar. E tudo que nos custa, pode causar dor, pode causar sofrimento, e às vezes até nos faz passar necessidades. Mas, se NÃO temos o coração "arado" pelo sofrimento, dor e necessidades, ainda que os olhos vejam, que o coração sinta, e que por alguns segundos brote a compaixão, jamais haverá frutos, jamais alguém poderá colher de nós a verdadeira compaixão que há em Deus. O coração do homem só dá à luz a compaixão verdadeira, quando em sua própria carne, em seu próprio coração, este homem já foi experimentado pela dor, pelo sofrimento e pelas necessidades.

Hoje em dia, se não vemos mais frutos de compaixão nem mesmo entre os que se dizem cristãos, é porque todos estão muito satisfeitos com o que têm, com o que possuem, com o que vivem. E não somente isso. Se esforçam, oram, fazem jejuns, votos, promessas, realizam rituais impressionantemente criativos (coisas que o Senhor JAMAIS ordenou que fossem feitas...), sobem morros, descem morros, fazem, na verdade, "tudo que o diabo gosta", pensando, como tolos, que estão agradando ao Senhor, e recebendo de Suas mãos, grandes bençãos. E porque? Porque querem mais, mais, muito mais! Sem olhar para os lados, seguem em frente em sua odisséia de "bençãos sem medida", crendo que estão recebendo de toda graça que vem de Deus. Não percebem, que o que têm recebido, vêm com o perfume sulfatado, das mãos imundas de satanaz. Mas, como já dizia alguém em algum lugar, em algum tempo passado, "o que os olhos não vêem, o coração não sente"...e o que o coração não sente, o espírito não consente.

Talvez seja um bom tempo, um tempo oportuno e apropriado, para refletir o que querem dizer estas palavras, que parecem ficar vagamente na lembrança da "família de Deus"...
“Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (Gálatas 6:17 - Palavras de Paulo de Tarso)

Palavras de alguém, que sabia o que era sofrer, e por isso era cheio de compaixão. Como um valoroso e verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, Paulo sofreu a violência dos seus adversários, sofreu as dores de prisões e açoites, passou fome, sede, nudez e solidão. Foi marcado pelo Espírito de Deus, marcado de sofrimento, de dor e de necessidades. Era, portanto, uma homem cheio de compaixão. Via o sofrimento de perto, em sua própria carne. E por isso, se movia em compaixão pelos seus semelhantes. De tal modo, que de tudo que possuía, nada lhe pertencia, pois servia aos que necessitavam e padeciam sofrimentos.

Por outro lado, vemos hoje os "discípulos do Senhor", com uma mente e um espírito completamente diferentes do que habitava em Paulo.

“Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam. Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus. E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres. Gente infiel! Será que vocês não sabem que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus? Quem quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus.” (Tiago 4:2-4 - Palavras de Tiago, irmão do Senhor Jesus)

Alguns pensam que estão salvos da ira de Deus, e que estão sendo abençoados por Ele, por tudo que têm recebido, pelas "bençãos" do Senhor. De olhos fechados, não podem ver nem a mão que lhes entrega "as bençãos", e muito menos veriam, as mãos que necessitam e sofrem dores.

Faço minhas, as palavras de Paulo, quando disse aos irmãos na Grécia...

“Tomara que me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda. Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar comouma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” (2 Coríntios 11:1-4)

Certamente que sofrereis. Mas, creia, melhor é o sofrimento e a dor, as necessidades que o Senhor prepara nesta vida, para sulcar a terra do coração do homem, para que nele brote a compaixão verdadeira, do que o sofrimento eterno de quem seguiu o caminho do homem, e não deu ouvidos nem ao Senhor, ou nem mesmo atentou, para um simples dito popular.

Não se aparte, jamais, da simplicidade que há no evangelho de Cristo. Se há outro deus "te abençoando", pergunte a si mesmo: porque será que você não está sofrendo?!
Abram os ouvidos, ò igreja de Laodicéia...

“... Eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes. Como gostaria que fossem uma coisa ou outra! Mas, porque são apenas mornos, nem frios nem quentes, vou logo vomitá-los da minha boca. Vocês dizem: ‘Somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos.’ Mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos. Portanto, aconselho que comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos. E comprem roupas brancas para se vestir e cobrir a sua nudez vergonhosa. Comprem também colírio para os olhos a fim de que possam ver. Eu corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se arrependam. Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos. “Aos que conseguirem a vitória eu darei o direito de se sentarem ao lado do meu trono, assim como eu consegui a vitória e agora estou sentado ao lado do trono do meu Pai. “Portanto, se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam o que o Espírito de Deus diz às igrejas.”” (Apocalipse 3:14-22)

Uma certa vez, há alguns anos atrás, fiz um propósito em meu espírito, sobre um fato relatado por Lucas, que me chamou fortemente a atenção. Fato que ocorria cotidianamente e naturalmente na vida cristã dos homens que conheceram Jesus face a face. Diz a história, através do relato de Lucas em Atos, capítulo 4, que entre os cristãos que se encontravam em Jerusalem, logo após a ressurreição e ascenção do Senhor aos céus, que absolutamente ninguém padecia necessidade alguma, pois que todos, vendendo suas propriedades e bens, traziam os valores aos discípulos de Jesus, e estes repartiam conforme a necessidade de cada um.

Com base nesse pensamento, eu me faço a seguinte pergunta, e coloco sempre minha consciência subjugada por esta intimação: "Por acaso já se acabaram as necessidades, dos que passam necessidades, dores e sofrimento?" Enquanto minha consciência, pela ação do Espírito de Deus, me ordenar que eu "Abra os olhos, e veja, e sinta, e então faça o que é preciso!!", eu estarei livre do mal que declara o dito popular...graças ao Espírito de Deus. E quando meus olhos falham, tenho em minha esposa, que viveu mais profundamente e de perto uma vida de dificuldades, a visão que muitas vezes me falta.

Para ilustrar um pouco mais o que digo, quero que vocês conheçam a história de um jovem casal cristão (verdadeiramente cristão!), íntimos nossos, que literalmente, no passado recente, logo no princípio de sua vida conjugal, enfrentaram grandes dificuldades financeiras. Eram "membros" de uma conhecida denominação nacional, na pequena cidade de Porto Feliz, onde moramos. E em meio às dificuldades do início de uma vida à dois, sem recursos e sem ajuda dos "irmãos da igreja", experimentaram algo que a maioria dos "cristãos" brasileiros jamais vivenciará em suas vidas. Literalmente, estes dois queridos irmãos, por meses a fio, COMERAM ARROZ COM LÁGRIMAS, como eles próprios costumam contar, quando dão testemunho da "compaixão" que receberam dos "irmãos" da época "da igreja". Arroz com lágrimas?!? Para não dizer que isto é uma tragédia, entre as muitas que acontecem no mundo evangélico brasileiro, eu poderia dizer que "ao menos o arroz era temperado com sal", já que nossas lágrimas são ligeiramente "salgadas".

Mas, graças ao Espírito Santo de Deus que os tinha em Suas mãos, pelo sofrimento e pela dor, pelos grãos de arroz regados à lagrimas que comeram, estas duas vidas são vidas que dão verdadeiros FRUTOS DE COMPAIXÃO aos que estão ao redor. Uma árvore (digo uma, pois são dois em uma só pessoa) que é próspera em dar seus frutos, para que aqueles que sofrem, têm dores, e enfrentam necessidades, possam ter sua fome satisfeita quando buscam o fruto da compaixão como alimento da alma, e do corpo. Não conheço ninguém, que como este casal, seja tão pronto e disposto, a oferecer ajuda e compaixão, quando a necessidade é o simples COMER. Ninguém jamais, estando ao redor destes, passará fome ou necessidade de comida, com certeza. Porque comeram "arroz com lágrimas" um dia em suas vidas, não precisam ver com os olhos, nem sentir com o coração, porque pelo sofrimento que padeceram, são absolutamente capazes, de responder à ordem do Espírito de Deus, que é: COMPAIXÃO, produza frutos em abundância, AGORA!, para que se fartem aqueles que necessitam, que padecem, que sofrem.

O Senhor tem seus olhos abertos, e está vendo todas as coisas. O Seu coração sente, e o Seu Espírito age. Para dar a cada um, segundo as suas obras. É preciso que fique claro, que a salvação do homem, da ira de Deus, não se compra com obras, pois não há nada que o homem possa oferecer a Deus, para que possa com isso aplacar a Sua ira. Mas, as obras da compaixão, através das nossas vidas, neste tempo, são a prova, a marca, de que Deus nos salvou.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Maná?!...De novo?!?

O ser humano tem realmente uma tendência à inquietação, a buscar aquilo que ele não tem nas mãos, aquilo que não está disponível. É incrivel, mas por mais que o homem tenha, ele parece "um animal insaciável". Parece que nada pode satisfazer a alma de um ser humano.

O povo de Israel no deserto, tendo saído do sofrimento no Egito, reclamou: "Maná?!...De novo?!? A gente não aguenta mais!"

Por vezes eu fico pensando, que tipo de alimento extraordinário era este "maná" que os israelitas colhiam diariamente e do qual se alimentavam.

“Os israelitas deram àquele alimento o nome de maná. Ele era parecido com uma sementinha branca e tinha gosto de bolo de mel.” (Êxodo 16:31)

É impressionante pensar, que em um só alimento, Deus colocava absolutamente todas as necessidades diárias de energia e nutrientes que um homem, mulher ou crianças, necessitavam para sobreviver. E isso, considerando uma vida, digamos, excêntrica, fora do normal, porque estavam andando por dias a fio, que chegaram a 40 anos no deserto. Eu pessoalmente nunca estive num deserto, mas sabe-se que não é fácil manter-se "saudável" em um ambiente destes, digamos, climaticamente hostil. No entanto, o "maná" de Deus, era um alimento extraordinariamente superior a qualquer dieta super-enriquecida, dessas que hoje os "super-executivos" do mundo dos negócios têm em sua rotina de "alta-performance". Nos dias de hoje, creio que nenhuma destas indústrias de alimento, com toda sofisticação e tecnologia que possuem, seriam capazes de reproduzir tal coisa. No entanto, este precioso e inigualável alimento "divino", foi desprezado pelo povo de Israel por várias vezes.

“Havia estrangeiros viajando com os israelitas. Eles estavam com muita vontade de comer carne, e até mesmo os israelitas começaram a reclamar, dizendo: —Ah, se tivéssemos um pouco de carne para comer! No Egito comíamos quanto peixe queríamos, e era de graça. E que saudades dos pepinos, dos melões, das verduras, das cebolas e dos alhos! Mas agora acabaram-se as nossas forças. Não há mais nada para comer, e a única coisa que vemos é esse maná!” (Números 11:4-6)

“Então os israelitas saíram do monte Hor pelo caminho que vai até o golfo de Ácaba, para dar a volta em redor da região de Edom. Mas no caminho o povo perdeu a paciência e começou a falar contra Deus e contra Moisés. Eles diziam: —Por que Deus e Moisés nos tiraram do Egito? Será que foi para morrermos no deserto, onde não há pão nem água? Já estamos cansados desta comida horrível e miserável!” (Números 21:4-5)

Nós sabemos que, de tudo que Israel viveu "na carne", na realidade do seu cotidiano com Deus, existia uma imagem refletida como em espelho, daquilo que nós, no presente, viveríamos em nossa vida espiritual com Deus. E de fato, é esta imagem refletida que tenho visto ultimamente. Pessoas enfastiadas, enjoadas, cansadas de serem alimentadas...pelo verdadeiro maná de Deus.

Eu pergunto: poderia alguém enjoar de comer maná? A história conta, que os israelitas enjoaram daquela comida que literalmente caía do céu. Durante 40 anos tiveram que se alimentar do "miserável maná". E porque enjoaram? Porque com o passar do tempo, passaram a não considerar mais o que aquele alimento continha, nem o propósito de sobrevivência a que ele servia, mas sim, tão somente o seu sabor. Comparado com "as delícias" do Egito, dos tempos da escravidão sob as correntes de Faraó, o maná de Deus era "detestável".

Minha esposa costuma dizer, que eu sou assim: quando gosto de alguma coisa, posso comer por meses, talvez anos a fio, e depois, quando enjôo daquilo, simplesmente não como mais, de jeito nenhum. E realmente assim acontece comigo. De uma hora para outra, experimento tal comida, e quero comer aquele prato todo dia. Até o dia que me enjôo daquele sabor, e não quero nem ver mais na minha frente. Porque? Porque chega uma hora, em que o sabor "enjoa".

O que os israelitas não entendiam, não percebiam, é que aquele alimento, o maná, não servia para satisfazer "o paladar", o prazer de comer, o gosto de se comer um prato agradável e delicioso. O maná, o alimento perfeito de Deus, era o alimento que os "MANTINHAM VIVOS!".

É claro que muitos outros alimentos, muitos outros pratos de comidas diversas, seriam muito mais saborosos e apetitosos aos estômagos do povo de Israel, principalmente durante uma dura e longa viagem pelo deserto. Mas o importante naquela jornada não era "o prazer", mas sim, "o VIVER"! Ou ainda, se preferir, "o sobreviver".

Pessoalmente, eu sempre me deliciei com alguns tipos de comidas saborosas, daquelas tipo "não nutritivas", mas muito apelativas ao prazer do paladar. Durante bom tempo, costumava comer somente muita massa, e tudo que está relacionado à deliciosa "farinha de trigo". Uma boa pizza, muitos pães, muito sanduíche, e muito molho de tomates, dos mais saborosos possíveis. Outro tipo de comida que sempre exerceu um forte apelo sobre meu estômago são os pratos da cozinha chinesa. Que sabor inigualável! Não sou de comer muito, em quantidade, mas sempre tive o costume de comer somente o que gosto, "o que dá sabor", o que agrada ao paladar, e não me importando muito com a idéia de estar me fazendo bem ou não, em termos de "sustento" e "saúde". Por aí você pode ter uma idéia, de quantas vezes eu comi "hortaliças e legumes" durante minha vida. Praticamente ZERO!

Mas, hoje, passados anos, tenho me acostumado a deixar de lado "o prazer", e me alimentar com aquilo que "me dá vida", que me mantém vivo! Legumes, por exemplo, fazem hoje parte de meu cardápio diário da noite. Obviamente, estou mais saudável do que antes.

Qual a diferença que aconteceu em minha vida alimentar? Deixei de lado o prazer de comer,o sabor das coisas que minha boca se agrada, pelo "comer para viver". Pois, tenha certeza, é mais necessário VIVER do que ter prazer.

Do mesmo modo que no passado o maná "natural" que caía do céu no deserto, como um orvalho, servia para o sustento da vida do povo de Israel, o maná "sobrenatural" que comemos hoje, o pão que veio do céu, que é Jesus, a Palavra de Deus, nos serve para "nos mantermos vivos"! Mas me parece, que nem todos têm compreendido esta realidade.

O homem não tem se conformado com "a palavra nutritiva" de Deus, aquela que sustenta, que dá vida, o pão genuíno de Jesus Cristo, que é o maná do nosso tempo. Ao contrário disso, tem buscado "a palavra que dá prazer", "o pão das delícias", aquela comida que é saborosa, aquela que "aguça o paladar" da alma. Ao invés de entender que o maná, ainda que muitas vezes torne-se enfastiante pelo sabor, é extraordinariamente, divinamente nutritivo e essencial para manter a vida, o homem tem desejado comer somente daquilo QUE LHE DÁ PRAZER.

Há uma infinidade de "pratos espirituais" sendo servidos por toda parte, e anunciá-los agora me tomaria tempo. Mas, para não deixar de citar um ou outro, posso chamar a sua atenção para a "Doutrina da Prosperidade Pessoal", "Mundo Gospel", e "União das Igrejas pela paz e amor", entre outros.

Nos dias de hoje, quando alguém prega a verdadeira palavra de Deus, prega o evangelho de Jesus em Espírito, como o maná que veio do céu, os homens na terra retrucam: "Maná?!...De novo?!? Estamos cansados desta comida de sabor detestável, miserável! Não aguentamos mais! Pode parar! Sem prazer não dá, sem sabor não!" E porque? Porque não querem, não buscam senão O PRAZER, senão o sabor. Não pensam em viver, sobreviver em sua alma, mas sim em desfrutar "do prazer de comer"! São carnais, e não espirituais.

Deixe-me alertar-lhe sobre uma verdade: o maná de Deus, Jesus Cristo, o pão que veio do céu, NÃO FOI FEITO PARA O NOSSO PRAZER!, para satisfazer nosso paladar. Ele foi feito para nos "MANTER VIVOS", neste deserto insólito, nesta jornada pela terra seca, que logo vai se acabar, em breve.

Se você acha que alguma comida espiritual que lhe agrada o paladar, que é deliciosa em sabor, pode dar-lhe sustento, lhe trazer sobrevivência neste mundo "sem Deus", eu afirmo a você que somente o maná de Deus pode sustentar uma alma neste deserto que é a vida no mundo, especialmente neste presente século.

O povo tem saído a comer os deliciosos pratos espirituais do prazer, do sabor, das delícias, ouvindo pensamentos, idéias e doutrinas feitas por homens, "abrindo seus próprios restaurantes espirituais" (alguns destes estabelecimentos com capacidade para três, cinco, ou ainda dez mil pessoas,...música ao vivo, shows e performances de astros e famosos, com serviços de cozinheiro chefe, garçons altamente treinados e qualificados, área de recreação para suas crianças, manobrista e coisas afins...simplesmente incrível!), que em nada podem nutrir, em nada podem dar vida, mas que são saborosas aos "ouvidos" da alma, ao coração do homem. Talvez até já tenham se alimentado do verdadeiro maná de Deus, mas, com o tempo, o sabor as deixou enfastiadas, enjoadas, e agora reclamam por algo "mais saboroso".

Existem ao nosso redor milhares ou mais, destes "cozinheiros" dos "pratos do Egito", das delícias de Faraó. A "cozinha" de satanaz tem produzido um cardápio à altura do cliente mais exigente! Basta procurar, e você logo vai poder achar um destes "bons restaurante", que lhe sirva aquele "prato que lhe dará água na boca". E isso, pela singela quantia de "sua generosidade" financeira. E se não lhe agradar, é só dobrar a próxima esquina, e com certeza "mais uma porta aberta" você vai encontrar. São várias, inúmeras, distribuídas por toda parte. Talvez até, existam em número maior do que os próprios restaurantes.

Seremos nós tão obstinados e cegos como a Israel do passado? Seremos nós tão carnais e inconsequentes como os que caíram mortos no deserto? Desprezaremos nós "o maná que veio dos Céus"? Espero que não. Ao contrário, sejamos sóbrios, sejamos sábios...voltemos à sobriedade do alimento que nos MANTÉM VIVOS, neste deserto espiritual que é o mundo. Nosso prazer, o nosso sabor, a satisfação do nosso "apetite" estão reservados para o futuro, estão preparados para em breve,...ou acaso se esquecem que a mesa foi posta e espera o noivo e seus convidados? No momento, estamos de passagem pelo deserto, e Deus, pelo seu Espírito, nos tem, sabiamente, mantido VIVOS...se, é claro, nos alimentarmos, EXCLUSIVAMENTE, de seu maná genuíno.

Dá próxima vez, em que um sabor agradável, um prato desejável, lhe causar "água na boca", ao ponto de sua alma "encher sua boca espiritual de saliva", procure seguir o seguinte conselho: CUSPA! Pois é melhor "cuspir", do que se "afogar engasgado", pelas "delícias de satanaz" que lhe causam comixão nos ouvidos, e lhe incendeiam a mente ou o coração. E continue se alimentado do puro maná de Deus...e vivendo, sobrevivendo no deserto. Até que chegue o dia, tão desejado, tão esperado,...do banquete do Cordeiro!

Bem disse o Senhor...os que se dão aos sabores da "glutonaria", e aos prazeres da "bebedeira", jamais poderão herdar...o Reino de Deus!

“Na presença de Deus e de Cristo Jesus, que julgará todos os seres humanos, tanto os que estiverem vivos como os que estiverem mortos, eu ordeno a você, com toda a firmeza, o seguinte: por causa da vinda de Cristo e do seu Reino, pregue a mensagem e insista em anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e ensine com toda a paciência. Pois vai chegar o tempo em que as pessoas não vão dar atenção ao verdadeiro ensinamento, mas seguirão os seus próprios desejos. E arranjarão para si mesmas uma porção de mestres, que vão dizer a elas o que elas querem ouvir. Essas pessoas deixarão de ouvir a verdade para dar atenção às lendas. Mas você, seja moderado em todas as situações. Suporte o sofrimento, faça o trabalho de um pregador do evangelho e cumpra bem o seu dever de servo de Deus.” (2 Timóteo 4:1-5)