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segunda-feira, 15 de junho de 2009

O que os olhos não vêem...

Você certamente conhece o dito popular que diz assim: "O que os olhos não vêem, o coração não sente". Ainda que estas não sejam palavras ditas pela boca de Deus, ou de algum dos seus servos ou profetas, creio eu, que de fato não se pode negar, têm elas em si uma grande dose de verdade e de realidade, e que de certo modo, espelham uma faceta do caráter humano.

Quando você ouve falar a respeito de alguém que está passando por necessidades, seu coração pode até mesmo por um momento, responder com um estímulo de compaixão. Mas, como você não pode VER, enxergar o sofrimento e a dor com seus próprios olhos, a sua atitude nunca passará disso. E este estímulo, este impulso de compaixão, dura não mais do que poucos segundos, que logo se esvai. Nenhuma raiz se forma, nada brota, a não ser um "suspiro" de compaixão, mas nenhum fruto de amor, de compaixão verdadeira, amadurece.

Se nossos olhos, no entanto, podem ver o sofrimento alheio, a compaixão tem, eu diria, uma chance maior de brotar e dar o seu fruto. Entretanto, nem sempre será assim, pois nem todo coração humano é terra fértil para produzir o fruto da compaixão. O fruto da compaixão só nasce em um coração fértil, que tenha sido propriamente "adubado e arado" pelo Espírito de Deus.

Muitos não entendem, porque o Senhor Deus nos permite o sofrimento, as dores, e por vezes até, passar por necessidades. Isso tudo realmente acontece na vida de um filho de Deus, um ser "nascido de novo", verdadeiramente nascidos do Espírito. Aliás, muitos ingenuamente pensam, que justamente por serem filhos, estarão sempre LIVRES de todo e qualquer sofrimento, dor ou necessidade. Mas Deus, como pai que sabe o que faz, nos faz passar por sofrimentos, necessidades e dores. Pois Ele sabe que, para que brote uma raiz e se dê fruto de compaixão em nosso coração, não bastaria que os olhos vissem, e que o coração sentisse...é necessário, sim, que "o nosso próprio ser", em tudo, seja MARCADO pelo sofrimento, pela dor, e pela necessidade. Como já disse no princípio, o dito popular em parte tem sua verdade, mas de modo algum mostra em si mesmo, a perfeita sabedoria do Espírito de Deus. É verdadeiro em parte, mas não traduz a sabedoria que vem do alto.

Ninguém pode oferecer compaixão, se não tiver antes sofrido e padecido em sua "própria pele", em sua própria vida. Jesus, diz a palavra Dele, padeceu, aprendeu a obediência, submeteu-se ao sofrimento e às dores. E porque padeceu, se compadeceu dos que necessitam de compaixão.

Hoje, quando olho para pessoas que se declaram cristãs, não posso entender como é possível tamanha escassez de frutos de compaixão. Ou talvez seria ainda melhor dizer, que no fundo entendo sim. Entendo, que há um espírito diabólico cegando-as, tirando-lhes o entendimento.

Se existe um outro ditado que hoje poderia ser bem aplicado nos círculos evangélicos, seria este: "Cada um por si, e Deus por todos!". Mas, me permitam, eu preciso perguntar: Cada um por si??? Como assim??? Será que não percebemos como este espírito, enviado por satanaz, tem cegado nosso mais simples dever de discernir as coisas?!

Se eu não olho para o sofrimento e a necessidade do próximo, eu não posso nem mesmo por um segundo sequer, sentir compaixão. Assim diz o ditado. E quando não sinto compaixão em meu coração, eu nem mesmo posso tomar uma atitude, porque nenhuma raiz brota em meu coração. Mas, se eu NÃO SOFRO como outros estão sofrendo, então o que terá o poder de me trazer entendimento, para que eu ME ENTREGUE em favor destes que sofrem? Assim diz o Espírito de Deus.

Sem se dar conta disto, a "igreja" tem vivido exclusivamente para si mesma, cada um em seu próprio egoísmo, uma vida fundada no egocentrismo, bem ao estilo "satanaz e seu enorme ego", satisfazendo os desejos carnais, e fechando olhos, coração, e as mãos, para os que estão sofrendo. Por acaso tenho diante dos meus olhos uma "igreja" próspera, rica, bem sucedida, ou um bando de pessoas que não sabem discernir entre o bem e o mal, entre benção e maldição?!

Quem poderia, sem peso algum sobre sua consciência, dizer "eu recebo a benção de Deus", e dou graças a Deus por isso, se meus semelhantes estão passando sofrimento e necessidades?! Será que você não compreende, que se você recebe, do Senhor, é para que possa repartir e aliviar o sofrimento alheio? Pois se você recebe, e não percebe que deve RENUNCIAR a tudo quanto tem, e entregar-se, em favor de outros, então você não tem recebido das mãos do Senhor, mas sim, das maliciosas e traiçoeiras mãos de satanaz, o egoísta, o egocêntrico, o amante de si mesmo, como um astuto e hábil sedutor, que quer lhe envolver em seus asquerosos braços. Não disse o Senhor que, se assim você age, não será jamais Seu discípulo, mas filho de um diabo?!

É claro que renunciar àquilo que você recebe, e abrir mão daquilo que lhe pertence, em favor do alívio do sofrimento e satisfação das necessidades de outros, vai lhe custar. Sempre vai lhe custar. E tudo que nos custa, pode causar dor, pode causar sofrimento, e às vezes até nos faz passar necessidades. Mas, se NÃO temos o coração "arado" pelo sofrimento, dor e necessidades, ainda que os olhos vejam, que o coração sinta, e que por alguns segundos brote a compaixão, jamais haverá frutos, jamais alguém poderá colher de nós a verdadeira compaixão que há em Deus. O coração do homem só dá à luz a compaixão verdadeira, quando em sua própria carne, em seu próprio coração, este homem já foi experimentado pela dor, pelo sofrimento e pelas necessidades.

Hoje em dia, se não vemos mais frutos de compaixão nem mesmo entre os que se dizem cristãos, é porque todos estão muito satisfeitos com o que têm, com o que possuem, com o que vivem. E não somente isso. Se esforçam, oram, fazem jejuns, votos, promessas, realizam rituais impressionantemente criativos (coisas que o Senhor JAMAIS ordenou que fossem feitas...), sobem morros, descem morros, fazem, na verdade, "tudo que o diabo gosta", pensando, como tolos, que estão agradando ao Senhor, e recebendo de Suas mãos, grandes bençãos. E porque? Porque querem mais, mais, muito mais! Sem olhar para os lados, seguem em frente em sua odisséia de "bençãos sem medida", crendo que estão recebendo de toda graça que vem de Deus. Não percebem, que o que têm recebido, vêm com o perfume sulfatado, das mãos imundas de satanaz. Mas, como já dizia alguém em algum lugar, em algum tempo passado, "o que os olhos não vêem, o coração não sente"...e o que o coração não sente, o espírito não consente.

Talvez seja um bom tempo, um tempo oportuno e apropriado, para refletir o que querem dizer estas palavras, que parecem ficar vagamente na lembrança da "família de Deus"...
“Desde agora, ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (Gálatas 6:17 - Palavras de Paulo de Tarso)

Palavras de alguém, que sabia o que era sofrer, e por isso era cheio de compaixão. Como um valoroso e verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, Paulo sofreu a violência dos seus adversários, sofreu as dores de prisões e açoites, passou fome, sede, nudez e solidão. Foi marcado pelo Espírito de Deus, marcado de sofrimento, de dor e de necessidades. Era, portanto, uma homem cheio de compaixão. Via o sofrimento de perto, em sua própria carne. E por isso, se movia em compaixão pelos seus semelhantes. De tal modo, que de tudo que possuía, nada lhe pertencia, pois servia aos que necessitavam e padeciam sofrimentos.

Por outro lado, vemos hoje os "discípulos do Senhor", com uma mente e um espírito completamente diferentes do que habitava em Paulo.

“Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam. Não conseguem o que querem porque não pedem a Deus. E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus próprios prazeres. Gente infiel! Será que vocês não sabem que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus? Quem quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus.” (Tiago 4:2-4 - Palavras de Tiago, irmão do Senhor Jesus)

Alguns pensam que estão salvos da ira de Deus, e que estão sendo abençoados por Ele, por tudo que têm recebido, pelas "bençãos" do Senhor. De olhos fechados, não podem ver nem a mão que lhes entrega "as bençãos", e muito menos veriam, as mãos que necessitam e sofrem dores.

Faço minhas, as palavras de Paulo, quando disse aos irmãos na Grécia...

“Tomara que me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda. Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar comouma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis.” (2 Coríntios 11:1-4)

Certamente que sofrereis. Mas, creia, melhor é o sofrimento e a dor, as necessidades que o Senhor prepara nesta vida, para sulcar a terra do coração do homem, para que nele brote a compaixão verdadeira, do que o sofrimento eterno de quem seguiu o caminho do homem, e não deu ouvidos nem ao Senhor, ou nem mesmo atentou, para um simples dito popular.

Não se aparte, jamais, da simplicidade que há no evangelho de Cristo. Se há outro deus "te abençoando", pergunte a si mesmo: porque será que você não está sofrendo?!
Abram os ouvidos, ò igreja de Laodicéia...

“... Eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes. Como gostaria que fossem uma coisa ou outra! Mas, porque são apenas mornos, nem frios nem quentes, vou logo vomitá-los da minha boca. Vocês dizem: ‘Somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos.’ Mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos. Portanto, aconselho que comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos. E comprem roupas brancas para se vestir e cobrir a sua nudez vergonhosa. Comprem também colírio para os olhos a fim de que possam ver. Eu corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se arrependam. Escutem! Eu estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos. “Aos que conseguirem a vitória eu darei o direito de se sentarem ao lado do meu trono, assim como eu consegui a vitória e agora estou sentado ao lado do trono do meu Pai. “Portanto, se vocês têm ouvidos para ouvir, então ouçam o que o Espírito de Deus diz às igrejas.”” (Apocalipse 3:14-22)

Uma certa vez, há alguns anos atrás, fiz um propósito em meu espírito, sobre um fato relatado por Lucas, que me chamou fortemente a atenção. Fato que ocorria cotidianamente e naturalmente na vida cristã dos homens que conheceram Jesus face a face. Diz a história, através do relato de Lucas em Atos, capítulo 4, que entre os cristãos que se encontravam em Jerusalem, logo após a ressurreição e ascenção do Senhor aos céus, que absolutamente ninguém padecia necessidade alguma, pois que todos, vendendo suas propriedades e bens, traziam os valores aos discípulos de Jesus, e estes repartiam conforme a necessidade de cada um.

Com base nesse pensamento, eu me faço a seguinte pergunta, e coloco sempre minha consciência subjugada por esta intimação: "Por acaso já se acabaram as necessidades, dos que passam necessidades, dores e sofrimento?" Enquanto minha consciência, pela ação do Espírito de Deus, me ordenar que eu "Abra os olhos, e veja, e sinta, e então faça o que é preciso!!", eu estarei livre do mal que declara o dito popular...graças ao Espírito de Deus. E quando meus olhos falham, tenho em minha esposa, que viveu mais profundamente e de perto uma vida de dificuldades, a visão que muitas vezes me falta.

Para ilustrar um pouco mais o que digo, quero que vocês conheçam a história de um jovem casal cristão (verdadeiramente cristão!), íntimos nossos, que literalmente, no passado recente, logo no princípio de sua vida conjugal, enfrentaram grandes dificuldades financeiras. Eram "membros" de uma conhecida denominação nacional, na pequena cidade de Porto Feliz, onde moramos. E em meio às dificuldades do início de uma vida à dois, sem recursos e sem ajuda dos "irmãos da igreja", experimentaram algo que a maioria dos "cristãos" brasileiros jamais vivenciará em suas vidas. Literalmente, estes dois queridos irmãos, por meses a fio, COMERAM ARROZ COM LÁGRIMAS, como eles próprios costumam contar, quando dão testemunho da "compaixão" que receberam dos "irmãos" da época "da igreja". Arroz com lágrimas?!? Para não dizer que isto é uma tragédia, entre as muitas que acontecem no mundo evangélico brasileiro, eu poderia dizer que "ao menos o arroz era temperado com sal", já que nossas lágrimas são ligeiramente "salgadas".

Mas, graças ao Espírito Santo de Deus que os tinha em Suas mãos, pelo sofrimento e pela dor, pelos grãos de arroz regados à lagrimas que comeram, estas duas vidas são vidas que dão verdadeiros FRUTOS DE COMPAIXÃO aos que estão ao redor. Uma árvore (digo uma, pois são dois em uma só pessoa) que é próspera em dar seus frutos, para que aqueles que sofrem, têm dores, e enfrentam necessidades, possam ter sua fome satisfeita quando buscam o fruto da compaixão como alimento da alma, e do corpo. Não conheço ninguém, que como este casal, seja tão pronto e disposto, a oferecer ajuda e compaixão, quando a necessidade é o simples COMER. Ninguém jamais, estando ao redor destes, passará fome ou necessidade de comida, com certeza. Porque comeram "arroz com lágrimas" um dia em suas vidas, não precisam ver com os olhos, nem sentir com o coração, porque pelo sofrimento que padeceram, são absolutamente capazes, de responder à ordem do Espírito de Deus, que é: COMPAIXÃO, produza frutos em abundância, AGORA!, para que se fartem aqueles que necessitam, que padecem, que sofrem.

O Senhor tem seus olhos abertos, e está vendo todas as coisas. O Seu coração sente, e o Seu Espírito age. Para dar a cada um, segundo as suas obras. É preciso que fique claro, que a salvação do homem, da ira de Deus, não se compra com obras, pois não há nada que o homem possa oferecer a Deus, para que possa com isso aplacar a Sua ira. Mas, as obras da compaixão, através das nossas vidas, neste tempo, são a prova, a marca, de que Deus nos salvou.