A cada geração que passa, a necessidade de "ser alguém na vida" torna-se uma força propulsora do cotidiano das sociedades, uma força motriz mais e mais opressora na sociedade moderna. Se à época da minha infância, já havia uma tendência doutrinária sobre "ser alguém" ou então tudo estaria perdido, hoje isto se tornou o verdadeiro motivo de viver da maioria. Pais vivem uma vida absolutamente frenética, fazendo com que seus infantes, muitas vezes com nem mesmo 1 ano de vida completo, já estejam aprendendo inglês, francês, alemão, informática, robótica, economia globalizada, sociologia filosófica, sustentabilidade ambiental, e outras tantas "invenções" humanas, que se avaliadas a fundo, não colaboram em praticamente nada, para o real "valor agregado", digamos, do indivíduo.
Quando nasce uma criança, a primeira preocupação que surge no íntimo dos pais é: será que meu filho ou minha filha será "alguém" bem sucedido na vida?! E para garantir este "sucesso", empenhar todos os esforços é ainda pouco. Pais "se matam de trabalhar", se estressam até o limite, e tudo isso, para proporcionar "o bem estar", o futuro, o sucesso dos seus rebentos. E além disto, há sempre uma ressalva: "Aquilo que eu não consegui conquistar, com certeza, não tenho dúvida, vou fazer de tudo para que meu filho/minha filha conquiste!"
Este tipo de atitude parece, a princípio, louvável, realmente digna de nosso elogio. Mas, se olharmos com profundidade, será que este caminho, é um caminho de sabedoria?
Há muito que o homem, incesantamente, deixou de ter como referência aquilo que deveria ser sua única referência. Pois a menos que você creia, que nós, seres humanos, somos uma simples (ou complexa, pouco importa) evolução genética de outra(s) espécie(s) - o que, me perdoe, é impossível crer, que alguém com mente sã creia nisso -, nós deveríamos ter como referência para o "ser humano", a personalidade do "criador de seres humanos", ou seja, a pessoa de Deus! Mas, por causa das aflições desta "vida de sucesso" que todos têm que alcançar, perdemos a referência do que devemos ser, e do que realmente importa.
Quero provar a você, que ainda que você seja alguém que crê em Deus, provavelmente você tem agido como se não tivesse mais a pessoa de Deus como referência, mas ao contrário disto, tem agido como agiram as gerações e gerações passadas, dando impôrtancia ao "ser alguém", ter sucesso, ser reconhecido!
E não vou me alongar para isso. Aliás, creio que este será um dos menores textos que já escrevi até hoje. E para simplificar, vou me colocar como exemplo ilustrativo desta conversa.
Nasci, cresci, e passei praticamente 20 (longos) anos de vida somente "me preparando" para ser alguém! Meus pais me colocaram em bons colégios, fiz uma boa faculdade, fiz boa pós-graduação, fiz boa carreira, especializai-me no que fiz, e enfim, posso dizer que, até o momento em que estava "seguindo o curso natural" do plano "ser alguém na vida", estava indo muito bem! Crendo que este era o caminho, este era o plano "certo" para mim, não poupei esforços para alcançar o objetivo. Se alguém não se lembra: ser alguém, ter sucesso, ser reconhecido!
Mas, há alguns anos atrás, creio que, como diz-se popularmente, "a ficha caiu".
Pensei: Se Deus, a pessoa de Deus, é minha referência sobre "ser alguém" nesta vida, então eu tenho que, na verdade, investigar, com todo cuidado e atenção, "que espécie de alguém" Deus foi na sua vida, na vida como a que eu vivo hoje na minha carne. Isso me levou é claro, a investigar a vida de Jesus. Se Ele é minha referência de vida, então eu preciso "checar" se, o "ser alguém" que todo ser humano busca, valeu também para o homem Jesus. E este foi o meu achado.
"...Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte—morte de cruz. Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e pôs nele o nome que é o mais importante de todos os nomes, para que, em homenagem ao nome de Jesus, todas as criaturas no céu, na terra e no mundo dos mortos, caiam de joelhos e declarem abertamente que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai." (Filipenses 2:3-11)
E então(?)...por acaso você anda querendo ser alguém nesta vida? Por acaso você anda se esforçando para se sobersair, para ser reconhecido, para "ser alguém" como nos ensinaram no passado? Esqueça isso, livre-se desta idéia. Não se deixe cair na tentação de satanas, no seu laço de vaidade e de aflição de espírito, que não sendo nada, quis ser maior do que o próprio Deus. Você bem sabe qual foi o seu fim.
Para os que não querem ser alguém neste presente tempo, nem têm a preocupação em serem reconhecidos, ou em alcançarem alguma coisa perecível como a glória humana, Deus preparou este sábio segredo, que no passado, Paulo (o servo e preso do Senhor) compartilhou conosco.
"...mas considero tudo uma completa perda, comparado com aquilo que tem muito mais valor, isto é, conhecer completamente Cristo Jesus, o meu Senhor. Eu joguei tudo fora como se fosse lixo, a fim de poder ganhar a Cristo" (Filipenses 3:8)
Interessante...quando éramos alguma coisa neste mundo, as pessoas realmente nos consideravam, nos elogiavam, nos reconheciam por aquilo que éramos. Afinal, éramos "alguém" nesta vida. Hoje, quando não somos nada, e nem nada temos, estas coisas desapareceram. Graças a Deus. Porque as considero como lixo, como coisas que atrapalham, como coisas que têm mau cheiro, que corrompem a nossa alma...
Bem disse João...se a "soberba da vida" está no coração do homem, certamente o amor de Deus não está nele, mas sim, o amor do mundo, a sedução do mundo, o amor vaidoso de satanas..."
Bom é não sermos nada, para que sejamos como Ele, que é tudo.
