Já não é a primeira nem a segunda vez, que recebo em minha caixa postal de emails, uma mensagem que, a meu ver, parece que se tornou bastante popular entre os evangélicos. Com uma ou outra variação, - e isso normalmente depende do tipo de denominção a que o remetente pertence - o email trata basicamente do seguinte tema: IRMÃOS, CUIDADO!!! ESTAMOS SENDO AMEAÇADOS!!! PRECISAMOS AGIR, ANTES QUE ACABEM CONOSCO!
Todo este pandemônio, numa mistura de pavor e falta de compreensão, vem decorrente de recentes ações políticas na capital federal, onde os congressistas ("ilustríssimos" deputados e senadores da república), legitimamente eleitos pelos cidadãos brasileiros, incluindo-se os evangélicos, vêm sugerindo projetos de leis, e alterações de leis, supostamente intencionadas CONTRA A IGREJA! Até mesmo a Constituição Federal seria afetada, e traria, segundo o clero evangélico, consequências desastrosas para o "Reino de Deus".
Deixando de lado, porém, uma avaliação embargada pelo sensacionalismo, pelo sentimentalismo, ou pelo melancolismo do mundo evangélico brasileiro, gostaria de fazer uma dissecação breve, rápida, profunda e incisiva (como um corte de bisturi, ao modelo faca de dois gumes), neste assunto tão mal interpretado pelos "brasileiros e evangélicos".
A primeira razão para o alarde, e claramente a mais amedrontadora, desesperadora e terrível, como próprios evangélicos demonstram, é a idéia dos legisladores e políticos brasileiros, de "morder" uma boa fatia dos recursos "da igreja". Isto, dizem deputados e senadores, "em prol" da nação brasileira. Esta ação, que dizem os agredidos "só pode ser o próprio satanaz contra nós!", é o calcanhar ferido do "clero evangélico". Todo esse dramático e melancólico processo começa, quando a classe política no Congresso Nacional, que não é boba nem nada, mas conhece muito bem alguns de seus "colegas religiosos" de plenário, resolve tratar a tal "igreja" como ela realmente deve ser tratada: como uma empresa. Por outro lado, é de se espantar, e de fazer inveja à "maravilhosíssima e imortal" Suzana Vieira (pelas suas palavras próprias...), a singeleza e ingenuidade que o clero evangélico quer demonstrar, quando magnificamente interpreta o perfil da "vítima roubada", assaltada e pega de surpresa, coitados de dar dó, pobres e desamparados. Como se os tais legisladores "anti-igreja" em Brasília fossem os únicos gatunos desta história.
Para início de conversa, não há nada mais "justo" e coerente, do que um país que tem por prática secular aplicar impostos altíssimos sobre seu povo, e que está acostumado aos cambalachos das empresas e instituições jurídicas, impor a mesma regra fiscal sobre as "igrejas". Só os tolos não percebem, que as tais "igrejas", não passam de GRANDES empresas. Pergunto eu: porque não se deveria então, agir com as "igrejas" do mesmo modo que o governo age com as grandes instituições jurídicas, as grandes empresas? Se o objetivo de ambas as formas de constituição jurídica é O LUCRO, não há incoerência alguma em o governo aplicar impostos sobre as "empresas religiosas". Quem sabe assim, a carga sobre o povo comum, deixará de ser, ao menos um pouco, tão pesada como é.
É preciso que se entenda, que a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, não é uma instituição jurídica, organizada e com estatuto, que arrecada de seus membros, e aplica o que arrecada conforme o que "dá na cabeça" dos seus "dirigentes" (costumeiramente entitulados pastores, bispos, apóstolos, ou coisa que o valha). Nem o seu dinheiro é utilizado para pagamento de aluguéis, financiamento de obras de edificações, promoção de estrelas da música gospel, realização de eventos pirotécnicos e shows espetaculares, entre outras tantas "atividades das igreja-empresas". E estou colocando aqui o evangelicalismo apenas como referência, pois o mesmo pensamento vale para qualquer outra forma de instituição religiosa. No passado, quando os sérios e honestos discípulos de Cristo, o Senhor, coletavam valores entre os cristãos, estes serviam para SUPRIR AS NECESSIDADES do Corpo de Cristo. Em outras palavras: tudo o que era arrecadado entre os irmãos, era EXCLUSIVAMENTE destinado ao sustento do Corpo, ou seja, ao sustento dos próprios irmãos. Se isto que estou dizendo é A MAIOR NOVIDADE dentro do seu "conhecimento bíblico", então é bom inteirar-se logo da verdade a respeito desta importante faceta da vida cristã genuína. Veja só o que nos relata Lucas, em Atos dos Apóstolos, a respeito deste assunto tão desconhecido:
“Os apóstolos faziam muitos milagres e maravilhas, e por isso todas as pessoas estavam cheias de temor. Todos os que criam estavam juntos e unidos e repartiam uns com os outros o que tinham. Vendiam as suas propriedades e outras coisas e dividiam o dinheiro com todos, de acordo com a necessidade de cada um. Todos os dias, unidos, se reuniam no pátio do Templo. E nas suas casas partiam o pão e participavam das refeições com alegria e humildade. Louvavam a Deus por tudo e eram estimados por todos. E cada dia o Senhor juntava ao grupo as pessoas que iam sendo salvas.” (Atos 2:43-47)
Perceba como que os cristãos tratavam o dinheiro da Igreja. Qualquer pessoa, ainda sem o menor entendimento, pode ver que, nas "igreja-empresas" dos nossos tempos, esta história não se encaixa de modo algum. Dividir??? Repartir??? Não, isso seria inconcebível para as "igreja-empresas". Simplesmente estas ações não fazem parte das suas NPs (Normas e Procedimentos). Jamais! Não vemos, em modo e tempo algum nos relatos da vida cristã à época do primeiro século, alguma forma de "IGREJA-EMPRESA" sendo estabelecida e sustentada. Não há presidentes, dirigentes, marketeiros, líderes, gerentes, nem mesmo "articuladores políticos" para, digamos, facilitar as coisas junto ao Império Romano da época. Tudo girava absolutamente em torno "do corpo", dos cristãos, em suas necessidades e generosidades.
Ainda assim, apesar de todo o temor e alarde do clero evangélico contra esta "ação de satanaz" (o que eu creio, realmente é, mas em outro aspecto...), seria desnecessária qualquer preocupação ou atitude preventiva contra as articulações do Legislativo brasileiro. Isto porque, como é praxe no cotidiano do "empresário brasileiro", seja no ramo do comércio, da indústria, ou no ramo religioso, sempre há de se achar UMA SAÍDA mirabolante para ludibriar o Fisco. Tudo isto é claro, sempre feito por instrução profética do clero, depois de muito jejum e oração, e em nome de Jesus. Afinal, é para isso que alguns dos "irmãos" estão ocupando cargos eletivos não só no Congresso Nacional, mas em toda esfera da vida política da nação brasileira. São os esforçados e incansáveis facilitadores das "IGREJA-EMPRESAS" do mundo evangélico brasileiro, trabalhando em favor do "Reino de Deus", como chamam.
O segundo ponto, e certamente não tão tenebroso para o clero evangélico como um todo, mas apenas para algumas, digamos, ESTRELAS que despontam na multidão do mundo gospel tupiniquim, seria a tentativa, por meio de leis complementares, de restringir o acesso da "igreja evangélica" aos meios de telecomunicação e mídia. Como disse, apenas alguns "tubarões" neste caso seriam afetados. Refiro-me aos que se empenharam e empreenderam os "mega" (ou já seriam "giga", ou até mesmo "tera") negócios, conquistando emissoras de rádio, televisão digital, multimídia, etc, etc. Esta sim, com certeza, é uma briga DE LEÕES. Isso porque envolve uma disputa com outros tantos que também militam nas telas e nas ondas do rádio, porém em outras áreas, digamos assim. Como espaço televisivo é um tesouro de valor virtualmente incalculável, não podemos nem mesmo imaginar o "reboliço" (se você não é evangélico, por gentileza, procure o significado de reboliço no dicionário) que esta proposta de redefinição das leis de comunicação fariam com as tais ESTRELAS MAIORES do mundo gospel no Brasil. Interessante é notar, que diferentemente do que acontecia no passado, onde os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo faziam questão de "não aparecer" e de "não carregarem fama sobre si", os televisivos da era evangélica brasileira são capazes de disputar a tapa com seus "irmãos-adversários", os horários nobres da TV brasileira. E para isso, desempenham uma performance televisiva que é de dar inveja ao menos a muitos novatos dos bastidores novelísticos. Aliás, creio que não por falta de talento, mas por pura falta de interesse (afinal, muito trabalho, mas pouco dinheiro), ainda não vimos, ao menos por enquanto, algumas "figuras" evangélicas transitando nos corredores das redes decorando textos das detestáveis novelas nacionais. É certo que, caso estas alterações legislativas, restringindo o espaço disponibilizado para o mundo gospel nacional, venham a se concretizar em leis, certamente muitos expoentes do clero evangélico vão ganhar cabelos brancos (não como sinal de honra e sabedoria...), ou então, perdê-los completamente. Afinal, não é fãcil sustentar um "império do empreendedorismo religioso", sem a arma das telecomunicações às mãos. Nestes casos, dízimos e ofertas "dos fiéis regulares e assíduos" não chegam a cobrir nem mesmo "os gastos operacionais do negócio" (traduza-se, cultos e reuniões semanais).
A terceira, e provavelmente não tão incômoda questão para o clero evangélico nacional, seria a proposta de lei que impediria as manifestações públicas "da igreja". A princípio, isto diz respeito a duas ações básicas da "igreja". A primeira delas, e talvez a única que importasse ao clero, seria a que promove shows e espetáculos públicos de caráter "evangelístico", como as apresentações musicais que os inúmeros e incontáveis cantores e cantoras costumam realizar em prol do Reino de Deus (?), em louvor a Deus (??), e para a glória de Deus (???). A outra, e que certamente não cria preocupação para o clero evangélico, seria a proibição por lei de realizar-se em público o que a "igreja" chama de "evangelismo". Para quem não conhece profundamente, "evangelismo", neste caso, é o processo pelo qual, para o bem e prosperidade do "empreendimento religioso" (ao qual, atribuem o nome de Reino de Deus), fiéis saem por locais públicos, munidos de "santinhos evangélicos", contendo normalmente algum bom "versículo de efeito" (tomado sempre fora de contexto e fora do propósito cristão), afim de arrebanharem para a "igreja-empresa" que frequentam, novos membros colaboradores. Ao contrário do que faziam os cristãos do passado, que pregavam o arrependimento às verdadeiras ovelhas perdidas, estes fiéis membros dedicados em seu trabalho, a todo custo se empenham em vestir com vestes de ovelha, a maior quantidade possível de bodes que possam encontrar pelo caminho. Contanto que estes, é claro, passem a se comportar como se fossem "ovelhas" (ainda que não sejam), e aumentem substancialmente o quórum nas assembléias organizadas pelos dirigentes das "igreja-empresas". Mas, como disse, é muito provável que este tipo de "investida" contra o clero evangélico nacional não chegue nem mesmo a fazer cócegas que incomodem o bem-estar dos seus mais ilustres ícones. Pois, se comparado ao prejuízo causado pela "perda da telinha", isto seria apenas um café pequeno, e até mesmo, diga-se, de certo modo amargo de se tomar. Quero dizer, é dispensável.
A quarta questão comentada no email em pauta, fala sobre as eventuais punições que seriam impostas aos "pregadores da verdade", quando assuntos como homossexualismo, feitiçaria, espiritismo, e coisas afins, fossem expostos publicamente, através de meios de comunicação. Ou então, a possibilidade de sofrer-se ação judicial civil, quando alguém viesse a sentir-se ofendido ou ultrajado em seu íntimo, por declarações contrárias a tais práticas condenadas por Deus. Ora, gostaria de colocar claramente um fundamento que é a base de sustento de toda esta questão, e que leva ao chão toda suposta preocupação dos verdadeiros pregadores da palavra de Deus, contra qualquer ação legislativa nesta nação.
Os que verdadeiramente são pregadores da verdade de Deus, por meio do Espírito de Jesus Cristo em nós, foram devidamente ensinados e doutrinados nas maneiras de fazer o seu trabalho. E, partindo daí, não existem absolutamente razões de espécie alguma para nos importarmos, ou mesmo nos incomodarmos, com punições, sanções, prisões, ou até mesmo a morte, quando nos quiserem impedir de pregarmos o genuíno e verdadeiro evangelho de Cristo. Eu poderia aqui trazer à tona uma infinidade de palavras do Senhor Jesus a respeito de como deveríamos enfrentar este trabalho árduo (para quem o faz com convicção e imparcialidade, é claro) da pregação. Mas, para não me estender mais ainda, lembro somente o episódio ocorrido com Pedro, e a consciência mostrada por este homem de Deus, quando foi, inutilmente, impedido de pregar o evangelho de Cristo:
“Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu: —Autoridades e líderes do povo! Os senhores estão nos perguntando hoje sobre o bem que foi feito a este homem e como ele foi curado. Pois então os senhores e todo o povo de Israel fiquem sabendo que este homem está aqui completamente curado pelo poder do nome de Jesus Cristo, de Nazaré—aquele que os senhores crucificaram e que Deus ressuscitou. Jesus é aquele de quem as Escrituras Sagradas dizem: “A pedra que vocês, os construtores, rejeitaram veio a ser a mais importante de todas.” A salvação só pode ser conseguida por meio dele. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos. Os membros do Conselho Superior ficaram admirados com a coragem de Pedro e de João, pois sabiam que eram homens simples e sem instrução. E reconheceram que eles tinham sido companheiros de Jesus. Mas não podiam dizer nada contra os dois, pois o homem que havia sido curado estava ali de pé, junto com eles. Em seguida mandaram que Pedro e João saíssem da sala do Conselho e começaram a discutir o assunto. Eles diziam: —O que vamos fazer com estes homens? Pois todos os moradores de Jerusalém sabem que eles fizeram um grande milagre, e nós não podemos negar isso. Mas, para não deixar que a notícia se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, a fim de que nunca mais falem com ninguém a respeito de Jesus. Então os chamaram e ordenaram duramente que não falassem nem ensinassem nada a respeito de Jesus. Mas Pedro e João responderam: —Os senhores mesmos julguem diante de Deus: devemos obedecer aos senhores ou a Deus? Pois não podemos deixar de falar daquilo que temos visto e ouvido. Aí o Conselho Superior os ameaçou com mais dureza ainda e depois os mandou embora. O Conselho não pôde castigá-los porque todo o povo louvava a Deus por causa do que havia acontecido. O homem que foi curado por esse milagre tinha mais de quarenta anos. Quando Pedro e João foram soltos, voltaram para o seu grupo e contaram tudo o que os chefes dos sacerdotes e os líderes do povo haviam dito.” (Atos 4:8-23)
Veja que inútil é aplicar punição de qualquer espécie aos que têm em seu íntimo, em seu espírito, a espada cravada de Cristo, que os leva a destemidamente enfrentar toda a adversidade no desempenho de sua função como testemunha de Jesus neste mundo corrompido. Aliás, faço questão de lembrar algo que, aparentemente, muitos dos que pensam ser cristãos autênticos não se recordam, ou não dão a devida importância, ou então nem mesmo têm conhecimento. Estas palavras do Espírito Santo, pela boca de Paulo, colocam em confronto toda a determinação e ânimo em pregarmos e vivermos o verdadeiro Evangelho:
“Todos os que querem viver a verdadeira vida cristã, unidos com Cristo Jesus, serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12)
O problema é que, diferentemente dos que querem viver a verdadeira vida cristã, o clero evangélico segue agindo e vivendo absolutamente com temor de perseguições, querendo ver-se sempre livre de confrontos, de oposições, e de adversidades, porque isto tudo, digamos, atrapalha o "bom andamento" dos seus lucrativos e prósperos empreendimentos religiosos. Enquanto Jesus nos chama a batalhar num campo onde a tolerância com o mundo e sua corrupção é ZERO, o clero evangélico vive uma vida "cristão politicamente correta", não se comprometendo com nada nem com ninguém, mas sendo tolerante com todos, condescendente com tudo, e tudo isto em nome "do amor de Cristo". Que absurdo! Quanto mais difícil as circunstâncias para se pregar o evangelho, mais difícil se torna, para eles, o sucesso dos empreendimentos. Até porque, o evangelho que pregam (aliás, não se pode dar tal nome ao que pregam...) não passa de um amontoado de mentiras e contradições estapafurdias, num apanhado bíblico que por muita preguiça e falta do Espírito Santo dos seus ouvintes, acabam iludindo e desviando os ouvidos destas pobres almas, de receberem a palavra da salvação ou condenação da humanidade. Ou então, talvez simplesmente não queiram que existam leis que os prejudiquem, em seus intentos e apetites, e para que isto não aconteça, tentam infiltrar-se na vida pública legislativa do país, no intuito de "abrandar" as coisas, "puxando a sardinha para suas brasas", como se diz popularmente.
Creio que, de certo modo, seria uma boa e providencial maneira, através destas propostas de leis, de tirarmos de circulação estes homens de caráter corrompido, propagadores de falsidades, perversores do glorioso evangelho de Cristo, que cheios de soberba e cobiça, distorcem o que o Espírito diz. Para sua própria condenação o fazem, e como Paulo disse antes, "sejam amaldiçoados" (Gálatas, capítulo1).
E por último, temos o que eu chamaria de derradeiro "choro" evangélico dos que, completamente afundados em suas concupiscências e avarezas, buscam honra, poder, tesouros e glória. Estou falando da temível questão da condicional elegibilidade para membros do clero evangélico nacional. Traduzindo: os pastores, bispos, apóstolos, etc, etc, etc, que queiram concorrer a um cargo eletivo público qualquer, deverão obrigatoriamente AFASTAR-SE das suas atividades cléricas. O interessante neste caso, entretanto, é avaliarmos o comportamento dos tais "candidatos" do clero às cadeiras legislativas ou executivas. Acompanhe minha explanação com atenção.
Seria coerente e esperado pensar, que uma vez colocado um impedimento desta "envergadura" aos "homens de Deus" da nação brasileira, os tais decidissem por bem, e em favor do que chamam "Reino de Deus", definitivamente abandonar a idéia de, muito entre áspas, "SERVIR A NAÇÃO". Espantosamente, ao contrário disso, os ilustres candidatos às cadeiras públicas preferem, sem sombra de dúvida, abandonar suas "igreja-empresas", e engajar-se na corrida política das eleições federais principalmente (menos trabalho, maior lucratividade!), e estaduais e municipais opcionalmente. Não é absolutamente espantoso? Pois então. Exatamente como fazem seus "futuros colegas" vindos de outros setores da economia nacional, eles abandonam virtualmente seus negócios, deixando os conhecidos "laranjas" em seus lugares, e tomando posse de seus mandatos e cargos, passam a "servir" a nação. Ou então, dentro de um estilo mais "profissional", enviam aos plenários da Câmara e Senado seus próprios "laranjas", fiéis "discípulos do ministério", que irão lealmente representá-los. Por serem, digamos, "fracos" para o ministério, por não terem aquele "carisma" para desempenhar boa performance como cléricos no mundo gospel nacional, esses "laranjas" são estrategicamente desviados para cuidar dos afazeres políticos no Congresso Nacional, em busca dos "interesses da igreja" e do "Reino de Deus". São como "despachantes profissionais" dos interesses do clero evangélico, junto às "repartições públicas" da capital federal. Credenciados pelo povo evangélico que os elege, têm transito livre pelos corredores de Brasília, e uma considerável "ajuda de custo" (que, por sinal, não é paga somente pelos seus eleitores diretos, mas por todo o povo contribuinte). É óbvio que os únicos beneficiados com estas estratégias são os seus mentores, eles próprios, a nata do clero evangélico, e seus empreendimentos religiosos. Tudo em favor do que chamam ("Nosso") "Reino de Deus"! Impressionante?! Na verdade, não vejo onde. São simplesmente lobos, fazendo o que lhes é peculiar: devorar.
Para concluir este ponto, gostaria de deixar claro, que aquele que é realmente chamado por Jesus para militar em Seu Reino, não se envolve com o "reino dos outros". A nação brasileira, como qualquer outra nação, não é, e nem nunca será, PARTE do Reino de Deus. Talvez por fruto de um patriotismo não tão exacerbado quanto o da terra do Tio Sam, mas que na prática leva em consideração alguns aspectos peculiares da nação brasileira como se fossem "parte" da alma de quem aqui nasce, observamos que, até mesmo os que se vêem como cristãos, consideram a nação brasileira como sendo A SUA PÁTRIA de devoção. Deixemos claro uma coisa, se nunca ninguém teve o discernimento e a coragem de esclarecer isto: aquele que é nascido de Deus, cristão verdadeiro, não é parte de nenhum outro reino ou governo, de nenhum país ou nação, a não ser, do "Reino de Deus"! Isso pode parecer uma coisa sem importância, mas que, para prejuízo do homem, transtorna o entendimento, e leva-o a crer que é possível, e talvez até mesmo louvável, candidatar-se a um cargo público na nação brasileira (ou qualquer outra, que seja), e empenhar-se em servir "à nação como cristão". Por favor, compreenda uma coisa: como cristão, você deve FIDELIDADE E LEALDADE a um Rei, um Soberano, a uma pátria, qual seja, o Reino de Deus. Não é lícito, repito, NÃO LHE É LÍCITO, militar no governo (qualquer que seja a esfera e poder escolhido) de outra nação terrena qualquer, quando você é cidadão do Reino de Deus. Assim como não é aceito em nenhuma nação, um candidato a cargo público eletivo que não seja natural ou naturalizado daquela nação. Exatamente do modo como se faz entre as nações do mundo, deve ser entre as nações do mundo e os cidadãos do Reino de Deus. Se um homem desejar servir à nação brasileira, ele certamente poderá fazê-lo como cidadão brasileiro, cuidando dos interesses brasileiros e da vida do país. Neste caso, entretanto, tal homem deve DECIDIDAMENTE abster-se de ser cidadão do Reino de Deus, de militar em favor do Reino de Deus, e de exercer fidelidade e lealdade ao Rei (Jesus de Nazaré) e ao Seu Reino. Ou uma coisa, ou outra. A nação brasileira, assim como as demais (TODAS!) nações do mundo, são em sua essência e totalidade REBELDES a Deus, e INIMIGAS de Deus. E portanto, não é possível haver comunhão, coerência, convergência, entre os princípios do Reino de Jesus e os governos desta terra. Ou bem servimos ao Rei, ou servimos às nações. A idéia de que Jesus deseja e comanda que seus servidores "transformem" as nações desta terra em "Reino de Deus" é uma idéia absurda, falsa, insensata e diabólica, propagada nos meios evangélicos em todo mundo (especialmente nesta nação em que vivo), por mentes que, ou são inspiradas pelo espírito do anti-cristo, ou são completamente vazias do conhecimento do Rei e de Seu Reino. Você poderia me indagar dizendo: "Mas, não somos embaixadores do Reino de Deus nesta terra, no Brasil?" Pois então eu lhe questiono dizendo: Por acaso algum embaixador estrangeiro se importa em participar ativamente do governo e elaboração legislativa do país em que está alocado? Ou, muito longe disso, apenas cuida em solo estranho, dos interesses da nação à que pertence? Não seria o caso de apenas cuidarmos dos interesses do nosso Rei, e de Seu Reino, vivendo em terra estrangeira?? Pois é exatamente isto que fomos chamados a fazer como embaixadores do Reino dos Céus, em alguma nação desta Terra. Nada mais. Além disto, existe um abismo de diferença entre o Reino de Deus e o "Reino do Brasil" (ou qualquer outro "reino" deste mundo). No Reino de Deus, as LEIS são colocadas espiritualmente no coração e na consciência dos cidadãos (= cristãos), enquanto que no Reino do Brasil, as leis brasileiras são escritas e colocadas em um aglomerado de outras leis de papel, que nada podem fazer para converter uma pessoa. O que quero dizer com isto, é que é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL converter um ser humano pela simples aplicação de uma legislação criada por homens. Ainda que a legislação brasileira fosse "uma obra-prima" de moralismo e solidariedade, isso jamais tornaria a nação, o povo, em FILHOS DE DEUS. Se você não pode compreender o que estou dizendo, olhe para as leis de um país extremamente moralista qualquer, e avalie seu povo corrompido. Ninguém pode ser transformado por leis que se escrevem e se colocam em tábuas legislativas. É necessário que as leis sejam gravadas, marcadas no interior da alma humana, e isto, creia, só acontece no governo do Rei, em Seu Reino eterno, através das Leis do Espírito, e não das canetadas de deputados e senadores, sejam eles evangélicos ou não. Portanto, não há propósito algum em estabelecermos leis "evangélicas" a partir dos legislativos brasileiros, como se isso fosse, na prática, transformar uma nação corrupta, pecadora e impenitente como a brasileira, em uma "nação cristã". Deste modo, é absolutamente inconsequente a idéia de termos "cristãos" agindo nos meios legislativos ou executivos, ou judiciários, de qualquer nação. Seja a nação brasileira, seja uma nação estrangeira. Se somos cidadãos do Reino de Deus, não nos envolvemos no governo de outro reino. A menos, é claro, que haja um interesse diverso da parte dos "candidatos", em participar das "atividades" da perdida cidade de Brasília. Seja este interesse um interesse pessoal, seja este interesse um interesse denominacional.
Quem tem ouvidos ouça (e, também, leia...) o que o Espírito diz.
“Pois o soldado, quando está servindo, quer agradar o seu comandante e por isso não se envolve em negócios da vida civil.” (2 Timóteo 2:4)
Ou ainda:
“Todos esses morreram cheios de fé. Não receberam as coisas que Deus tinha prometido, mas as viram de longe e ficaram contentes por causa delas. E declararam que eram estrangeiros e refugiados, de passagem por este mundo. E aqueles que dizem isso mostram bem claro que estão procurando uma pátria para si mesmos. Não ficaram pensando em voltar para a terra de onde tinham saído. Se quisessem, teriam a oportunidade de voltar. Mas, pelo contrário, estavam procurando uma pátria melhor, a pátria celestial. E Deus não se envergonha de ser chamado de o Deus deles, porque ele mesmo preparou uma cidade para eles.” (Hebreus 11:13-16)
Enfim, se quisermos concluir o assunto com uma breve síntese dos fatos, eu diria: o Reino de Deus é luz, os reinos do mundo (Brasil, especialmente inclusive) são trevas. Estas duas coisas, sabemos, não podem conviver unidas entre si.
As Leis do Reino de Deus, disse O Rei, são eternas, estabelecidas para todo sempre, não mudam jamais, e delas não se removerá nada. Tudo passará, mas as Leis do Reino de Deus permanecerão para todo sempre. Elas ficam marcadas, gravadas e estabelecidas, no coração e na mente de todo genuíno filho de Deus, os nascidos do Espírito, e não da carne. Como diz Paulo, os que são verdadeiramente judeus não são os que foram marcados pela circuncisão da carne, mas sim pela do espírito, circuncisos de coração, pela Lei do Espírito de Deus, e não pela lei da carne. Ao contrário disso, as leis dos homens, sejam elas saídas da cabeça de legisladores evangélicos, católicos, busdistas, muçulmanos, ateus, ou o que quer que sejam, duram por um tempo, e logo caem no esquecimento ou desuso, ou são revogadas por uma nova lei. As Leis de Deus foram "escritas" pelo próprio Deus, e não por criaturas que não sabem nem mesmo discernir entre o que é certo e o que é errado. As Leis de Deus são invioláveis, e sempre cumprem com seus propósitos divinos, nunca ficam "no vazio", antes, cumprem aquilo para que foram estabelecidas eternamente. As leis das nações servem apenas como um instrumento de manipulação, e seus efeitos são passageiros e inócuos. As Leis de Deus fazem A VONTADE SOBERANA DO REI! As leis das nações são feitas para satisfazer os propósitos concupiscentes de um grupo de homens, sejam eles evangélicos ou não.
Como cidadão do Reino de Deus, tendo como Rei soberano Jesus de Nazaré, pouco me importa se a nação brasileira aprova o aborto, promove casamentos gays ou o dia do orgulho gay, inocenta homicídas, pratica ou apoia o terrorismo, adora feitiçarias, é campeã mundial da pedofilia e prostituição, é 1ª no ranking de importadores e exportadores da maconha, cocaína, crack ou extase, e demais delitos e coisas semelhantes. Tenho para mim, como servo do Deus vivo, que em nada estes escândalos afetam o Reino do qual faço parte. Tais coisas, para quem não sabe, não passam de PROVIDÊNCIAS DIVINAS, para uma nação que, como diz o Espírito, não honrou a Deus como Deus, nem lhe deu graças (Romanos, capítulo1), mas sim, voltou-se a satisfazer os apetites insaciáveis do seu próprio ser corrompido, doente, e às suas paixões. Por esta razão, o próprio Deus os entregou às suas loucuras. Em outras palavras, para que comessem do próprio veneno. Quem seria eu para então, como se fosse um servidor desleal e infiel ao meu Rei, promover leis de homens que tentam, inutilmente diga-se, coibir a depravação da alma, que o próprio Deus entregou, aos que não O temem? Quem seria eu, para infiltrar-me no governo anti-cristo da nação brasileira, e tentar, em puro ímpeto de insensatez, estabelecer por leis humanas, "um reino cristão" que não passa de teoria e aparência, e que jamais produzirá frutos? Isto, certamente, não faz o menor sentido, para quem de fato é SERVIDOR do Reino de Jesus de Nazaré.
Como está escrito, e dito, pelo Senhor dos Exércitos...
“Quem é injusto, que continue a fazer injustiça ainda, e quem é imundo, que continue a ser imundo. Quem é justo, que continue a fazer justiça ainda, e quem é dedicado a Deus, que continue a ser dedicado a Deus.” (Apocalipse 22:11)
Se por um lado, temos católicos vivendo em ignorância das palavras da verdade do Rei, o clero evangélico, por sua vez, vive em arrogância diante daquilo que Ele disse. Poderia existir afirmativa mais clara e contundente do que esta?
“Jesus respondeu: —O meu Reino não é deste mundo! Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para não deixar que eu fosse entregue aos líderes judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é deste mundo!” (João 18:36)
Afinal, o que vai ser? Cidadão do Reino de Deus ou cidadão do Reino do Brasil? Servidor do Reino de Deus ou servidor do Reino do Brasil? Cristão ou pagão? Entenda, é impossível servir aos dois reinos, pois, ainda que o "rei" brasileiro aceite e consinta com a dualidade, para o Rei Soberano, tudo isto é inaceitável.
Quem realmente se alistou no exército do Deus vivo, deve estar naturalmente preparado para morrer pelo Rei, pela causa do Reino, e não se importa com as adversidades do campo onde foi alocado. Quer seja no Brasil, quer seja na India, quer seja num dos confins da terra, o verdadeiro discípulo de Jesus enfrentará a espada e a injustiça pelo amor ao Rei. Os que amam os seus próprios reinos, seus impérios particulares, têm sim, sempre, todos os motivos para temer. E se temem, e se sentem acuados, ameaçados, é porque neles não vive "o Espírito do Justo", mas a carne fraca dos seus anseios.
Às nações, está reservada toda ira de Deus, que do alto já se manifesta. Aos cidadãos do Seu Reino, glória, paz e harmonia para sempre, da parte do Rei. Amém.
